“Os fins justificam os meios.”
- Senhor Andrews? - Fala brincando de forma cordial. - Dormiu no escritório de novo?
- Não é isso, filha, é que… - Seus olhos estavam latejando de sono. Sua cabeça explodia de dor - é que… você não devia estar na escola?
- Sim, papai. Mas o senhor prometeu que iria me levar na escola hoje. “E assim morro com um beijo”, lembra? - Fala rindo mostrando seu lindo vestido de renda.
- Sua apresentação! - Faça surpreso.
- O senhor tinha se esquecido! Sabia!
- Eu estava me lembrando mas…
- Sei que o senhor está precisando de dinheiro, mas não precisa se matar tanto no trabalho. Eu posso parar de fazer aulas de teclado, se você quiser.
- Não, filha! - Diz no ímpeto. - Quer dizer, não precisa. Você ama essas aulas. A propósito, você vai tocar no teatro hoje, certo?
- Sim. Vamos, papai.
Pouco tempo depois os dois se encontravam na porta da escola. Aqueles prédios talvez sejam umas das poucas edificações antigas que os moradores de Dublin preservavam. O Trinitty Colege é talvez uma das escolas mais importantes da capital inglesa. Entre os estudantes que ali frequentavam estavam filhos de grandes empresários. Todos esses magnatas pareciam estar presentes naquele teatro enorme. Os dois tinham acabado de entrar em um grande auditório. As telas mostravam algumas das maiores obras de William Shakeaspere. Matthew se admirava pela obra shakeasperiana, mas não por aqueles ricaços que fingia gostar.
- Se não é o maior astrônomo de Dublin e a garota mais linda de todas! Não entendo como a NASA ainda não te convenceu a trabalhar pra eles. Aqueles americanos! - Risadas. - O que as estrelas dizem para mim, que sou pisciniano?
- Já disse que sou astrônomo e não astrólogo, Brad. Quanto a NASA, bem, quero mais que eles vão se danar! - Rindo de forma cordial.
- Eu sei, meu amigo. Adoro brincar com você sobre isso. Não são nomes muito parecidos?
O som do palco fazia a chamada:
- Luna Andrews, queira vir aos bastidores por favor.
- Meu Deus. Estou atrasada, papai.
- Eles precisam de você, meu anjo. Pode ir. Não quero que faça uma ótima apresentação, quero que se divirta.
- Achei que fosse me “apoiar” como faz nas aulas de canto. - Fala de forma irônica.
Matthew fica sem jeito, como se algo quisesse sair pela sua garganta.
- É diferente, filha. Quero muito que você se dê bem. Amo-te muito e acabo exagerando.
- Tá bem papai. Também te amo. Adeus, Bradd.
- Boa sorte, Lu.
Romeu e Julieta perdia feio para Hamlet ou Macbeth, mas não com aquela Julieta, Os talentos de Luna para as artes eram simplesmente fantásticos. Ela puxara a mãe em tudo, nisso Matt não tinha sombra de dúvida. Ela dançava e cantava, contagiando o público usando aquela obra. O filho de Brad não deixara nada a desejar como Romeu, mas todos concordavam que a estrela da noite era a protagonista. Ao fim todos receberam palmas, foram dados alguns avisos e as crianças desceram para procurar seus pais. A professora responsável pelo teatro tinha dito que todos teriam dez minutos para conversar com os pais. Esgotado esse tempo eles deveriam se encaminhar para a sala da próxima aula. Luna não conseguia achar Matt, mesmo o procurando incansavelmente.
- Professora, a senhora viu meu pai?
- Não, querida. Ele deve estar por aí. Você está com algum problema?
- Não… - Uma lágrima escorria do rosto da garota. - Eu queria um abraço dele.
- Calma, pequena. - Falou enquanto a abraçava. - Vamos achá-lo juntas, tá bom?
As duas procuraram por um longo tempo. Lula era uma garota madura para seus oito anos mas agonizava pois temia um exame próximo. Suas notas nunca eram ruim mas testes para ela eram sempre ameaçadores. Ao saírem do auditório lá estava ele, olhando para um dos prédios da escola.
- Onde esteve papai? - Gritou logo depois de avistá-lo.
Matthew ainda olhava de forma fixa ao prédio. Depois de alguns segundos desprendeu sua atenção e olhou de forma profunda à Luna, sorrindo.
- Desculpe-me, filha. Saí as pressas logo depois do fim da peça, por isso você não me viu. Aqueles avisos chatos da escola me cansam. - Disse rindo. - Não preciso nem dizer o quanto você foi genial. Se Shakespeare estivesse vivo não iria querer outra Julieta.
- Talvez ele fosse querer uma mais alta.
- Sua altura é perfeita, pelo menos pra sua idade. Garanto que quando crescer ficará bem maior que eu.
- Duvido.
Matt percebeu que Luna não estava sozinha.
- Prazer, senhora… - Falou olhando para a professor, esperando que ela dissesse seu nome.
- Sprout. Gina Sprout.
- Matthew Andrews, mas pode me chamar de Matt.
- Senhor Andrews, eu sou uma grande fã sua. Não pelo seus trabalhos de observação espacial mas sim por suas pesquisas sobre os clássicos. Seu livro sobre a obra Dantesca é simplesmente fantástica. Sem contar seus trabalhos sobre política, matemática, lógica…
- Acho que devo muito ao senhor Alighiere. - Disse rindo enquanto olhava para Luna.
Nenhum comentário:
Postar um comentário