segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Upside Down

Honestamente, desta fútil amizade já cansei
Você é uma garota muito grudenta
Gosto bastante de quando
Demonstra indiferença
Odeio as horas que
Me fita com seu olhar psicopata
É difícil explicar como
Pq a vida é, comigo, muito ingrata


Apenas em sonho
Casar com você eu iria
Queria que soubesse pq sou tão tristonho
(agora leia os versos na ordem inversa)

Prisão

Estou preso.
Sim, estou preso.
Sei que estou.

O tempo é um castigo, uma pena.
Sim, fui castigado.
Sei que fui.

Não me lembro o porquê.
Devia estar livre, vivo.
Sei que devia.

Mas cá estou eu, preso.
Saberia o porquê, mas meus olhos estão cegos.
Sei que estão.

Minha prisão é forte, estou algemado.
Mas tenho uma faca, uma pequena faca.
Arranho a prisão, e o ar fresco arde alarmado.

Cada arranhão, cada corte me excita.
A maresia calma me agita, saudita.
E cada arranhão nas paredes me tenta mais.

Não arranho de dentro pra fora, não.
Minha cela é diferente.
Se ela fosse maior, mais preso ficaria eu ao chão.

Estou fadado como um cancerígeno.
Desesperado na tentativa de arrancar.
O centro do problema, custe o que custar.

Sinto o cheiro de algo,
saboreio,
Ah sim, são os doces mantedores da morte.

Abocanho-nos todos e então engulo.
Minha prisão se corrompe, e eu saio.
Finalmente esse anjo agora tem sua vida.

Chuva de Sangue

Chove sangue lá fora.
Os anjos, pelo mal
foram atrucidados agora.
Suas mortes indicam o final.

Chove sangue aqui dentro.
As pessoas beberam o sangue,
e com profundo alento
tornam o mundo sua cruel gangue.

Choro sangue agora.
Sem lugar na terra, sem lugar no céu.
Tristeza me escapa sem demora
o escarlate me denomina réu.

O sangue fora já me ancora.
O veneno dos anjos acabara de sair,
livrei-me do que antes me corpora,
recipiente do que era capaz do mal atrair.

Sou o sangue agora.
Enlouqueço com meu reflexo,
preso ao chão.

Estou livre do sangue agora.
Não há mais dor,
No meu suicídio encontrei compaixão.

domingo, 16 de outubro de 2016

Corte e gaste o tempo

Feliz aquele que dividiu o tempo e fez o dia e a hora.
Dividiu vidas em anos com um corte fundo.
Pois cada dia primeiro ou ano novo no mundo,
É o recomeço, a eterna expectativa de melhora.

O bater do relógio é algo profundo.
tempo que se foi não volta mais,
por isso o gaste com os essenciais.
Porque com pressa, cada hora parece ser um segundo.

Amais então, quem tu queres amar.
Sofrei, por quem queres sofrer.
Não deixeis o tempo parar.

É incrível como os ponteiros,
correm ao te ver, meu amor.
Seja na vida real ou em mero devaneio.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Futuro ou presente?

As pessoas andam e andam.
Pegam metrô, trem, retas e subidas
E nesse movimento, elas param.

Esquecem que cada momento é uma grande despedida.
Esquecem que cada beijo pode ser o final.
Esquecem que a alma está em cada olhar contida.

A felicidade deve ser na hora vivida, afinal.
Muito vive a pessoa a que para seus problemas torna-se indiferente.
E muito perde quem trata as pequenas alegrias de forma banal.

Caso me conheça, talvez argumente:
"como alguém que vive a pensar no futuro, a estudar, sabe a vida aproveitar? "
Pois direi de coração ardente:

"Meu sonho dantesco não pode acabar,
Mas também, só com alguns prazeres ele não se tornará cadente.
Se o mundo é uma confusão, antes de o acalma-lo irei ajudar a o bagunçar."

Lembre-se que o equilíbrio é a chave para o mais alto céu e as estrelas.

terça-feira, 26 de julho de 2016

As pessoas se amam?

        Devido a problemas pessoas, parei hoje para refletir um pouco sobre meu conhecimento de mundo. Não me considero um religioso mas admiro muito os ensinamentos bíblicos. O verso mais genial de todo o livro (ou pelo menos da pequena parte que eu já li dele) é o: "Amai ao próximo como a ti mesmo", em minha humilde opinião de leitor casual. Até ontem eu ingenuamente acreditava que, se as pessoas seguissem isso, o mundo seria um lugar perfeito. Todo o amor próprio igualmente distribuído entre todos. Veríamos caridade na rua, generosidade, abraços, beijos, serenatas... Teríamos um mundo que ganharia fácil de um cenário de algum livro romântico. Mas cara, eu estava errado por um simples fato: as pessoas não se amam mais. "Você nasceu burro ou fez curso pra isso? A grande maioria das pessoas é orgulhosa e egoísta" - Muitos dirão. - E é exatamente aí que está o erro. Egoísmo não é amor-próprio. E como as pessoas podem amar umas as outras se elas nem se amam?
        Vejo casais mais preocupados em demonstrar seu sentimento de amor pra Deus e pro mundo que para seus parceiros. Vejo "intelectuais" muito mais preocupados em ditar o que está certo do que refletir sobre seu conhecimento. Pessoas mais preocupadas com quantas curtidas recebem em fotos de instagram ou facebook do que com quantas pessoas elas já arrancaram o sorriso. Pessoas que postam cada vez mais sua felicidade por meio de snaps, tweets e afins e que a aproveitam cada vez menos. Aquelas pessoas se amam?
        Não, caro amigo. Elas não se amam. O que elas realmente amam é o que tem. Amam a imagem que as outras pessoas tem sobre elas. Estão se diferenciando cada vez mais não por gostarem mas sim por acharem que chamam a atenção o fazendo. Não é atoa que o número de casos de depressão, crises de identidade e outros problemas psicológicos cresce cada vez mais.
        Dói muito dizer mas, mesmo sendo o maior ensinamento do cristianismo, "amar o próximo como a ti mesmo" não resolve o problema da sociedade sozinho. As pessoas se corromperam tanto que ele já não serve mais. A empatia (colocar-se no lugar do outro para tentar entender o que ele sente) simplesmente já não funciona. Como me colocarei no lugar de uma mulher estuprada ou de um homem que foi para a guerra se meu maior problema é "não ter um Galaxy S7" ou "não ter a visibilidade nas redes sociais que eu acho que mereço"?



Como seria a Terra
que um ser amasse o outro
sem que o amor-próprio o aterra?

Parei hoje para refletir um pouco
e minha conclusão é triste
espero que não me chame de louco

A gente cada vez mais resiste
a aproveitar a felicidade
pois o celular em tocar insiste

Casais só demonstram cumplicidade
quando em público estão.
Mas em quatro paredes em sua briga há reciprocidade.

Por isso insisto, mesmo sem parecer ter razão.
Não busque o egoísmo. Tenha empatia.
Eu suplico: abra seu coração. S2

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Alighiere + José de Alencar?

Como ficaria o estilo de Alighiere no contexto de Senhora, de José de Alencar?

Adelaide: Com toda a enlouquencia, o fim nos pega,
Mais uma vez a arte nos mostra,
Algo que a sociedade nos cega.

Torquato: Num tempo que o mundo não mais se incomoda,
Que os amantes se veem cada vez mais sufocados,
Óh triste tempo que o amor saiu de moda.

A mulher vista como franzina,
Negado seu papel de heroína,
Por um mundo insensível.

Adelaide: O homem visto como pedra,
Ser amargo que não amarela,
E não pode chorar.

Vejo-me agora indecisa:
Será eu alma tão ruim,
Que da felicidade não posso aproveitar nem uma leve brisa?

Torquato: Achei-me agora confuso, tendo perdido a verdadeira estrada.
Não creio que nosso amor possa ser negado,
Por tão simples encruzilhada.


Adelaide: Mas por que devemos nos obrigar?
Posso eu sim, amar alguém diferente.
Parar de seguir tal papel vigente que o mundo me obriga
.
Torquato: Poderei eu também abandonar o meu exílio.
Poeta voltarei... à fonte de meu batismo.
Só preciso contar com seu auxílio.

Adelaide: Nesse tempo de crise moral,
Engolidos por governantes
Devemos mesmo enfrentar tamanho mal?

Digo, olhe para nós...
Mesmo que tudo isso mude após,
Somos apenas duas almas perdidas.

Torquato: Veja, minha amada.
O maior conhecimento que adquiri em minha jornada
Foi notar que tais crises só juntos podem ser enfrentadas.

O mal é mesmo gigante,
O temível inferno de Dante,
É a manipulação do que achamos correto.

Nós somos como peixes
A nadar em um lindo aquário de mentiras
Sem nunca ter visto, nem de longe, o mar.

Adelaide: Cabe agora a nós enfrentar,
A olhar um para o outro e aceitar,
Que todos nós somos iguais no quanto somos diferentes.
Neste sereno mundo coberto por estrelas.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

[MA04] Capítulo 3

“Nesta parte da leitura proponho ao leitor um desafio. Acredito que nossa maior força é o subconsciente. Ele armazena coisas tão triviais e fazem elas criarem um sentido complexo. Ele armazena coisas complexas de forma trivial. Diminui a dor ou aumenta a seu desejo, através de um código de conduta completamente desconhecido. Pense em um animal (mitológico ou real) e escreva seu nome. Faça isso de novo com outro. E agora com outro. Segundo Freud sua primeira escolha como os outros te veem. A segunda o que você realmente é. A terceira sua perspectiva de transformação. Normalmente começa-se escolhendo animais mais próximos, mais fofos e conclusivamente menos agressivos. Depois disso um mais resistente e por fim um realmente impositor. Se fosse proposto tal teste a Alighiere quais animais ele escolheria? Ele faria o contrário. Todos o viam como monstro e talvez até ele o fizesse. Mas ele queria ser bom. O que ele mais ansiava era o Paraíso. Não consigo parar de pensar nisso.” capítulo 3: psicologia aplicada sobre o autor, Dantismo, o sonho - Matthew Andrews


O dia seguinte começou cedo para Matt. Mesmo ficando acordado até tarde estudando alguns textos seisencistas ele se sentia incrivelmente bem. Ele vestiu seu roupão e foi até o banheiro da sala. Luna sentada no chão em frente a porta. Seus olhos estavam inchados. Ela não tinha dormido aquela noite?
- Luna, você está bem? - Falava enquanto a colocava no colo.
- Sim, papai. Tive um daqueles sonhos de novo. Não consigo mais dormir.
- Venha, filha. Papai irá te colocar pra dormir. Está tudo bem.
Aquilo acontecia tão frequentemente quanto Matt ficava preocupado: o tempo todo. Certa vez ele a levou em um psicólogo especialista em sonhos. De sua fala ele nunca esquecera:
- Sonhos como este têm uma forte conexão com a realidade. O senhor deve negar tudo até que ela seja forte o bastante pra aguentar.
Naquela manhã, em particular, era um importante dia para Luna e Matt. Se tratava de um sábado e como de costume os dois faziam o dia do pai e da filha. Eles nunca planejavam nada antecipadamente mas combinavam de passar o dia todo juntos. A porta do quarto de Matt ainda estava aberta. Ele tomou cuidado com os degraus e adentrou. Seus livros empoeirados eram numerosos e ocupavam a maioria dos espaços.
- Papai, o sonho está cada vez mais real.
- Conte-me como foi, filha.
- Eu estava sendo carregada por uma mulher de olhos verdes e cabelo preto liso. Ela corria. Eu ouvia sua respiração. Estava frio e o mais estranho é que chovia sangue. Eu tenho certeza que era sangue. Ela me colocou em um cesto e me empurrou num rio. Ela tentou correr, mas ele a pegou. A PEGOU, PAPAI! - Disse isso disparando em choro.
- Quem a pegou? Quem? Diga logo! - Disse demonstrando frieza.
- Eu não sei… eu juro que não sei - Chorando cada vez mais.
- Desculpe-me, filha. Esqueça isso e deite-se.

domingo, 17 de julho de 2016

[MA03] Capítulo 2

“Os fins justificam os meios.”

- Senhor Andrews? - Fala brincando de forma cordial. - Dormiu no escritório de novo?
- Não é isso, filha, é que… - Seus olhos estavam latejando de sono. Sua cabeça explodia de dor - é que… você não devia estar na escola?
- Sim, papai. Mas o senhor prometeu que iria me levar na escola hoje. “E assim morro com um beijo”, lembra? - Fala rindo mostrando seu lindo vestido de renda.
- Sua apresentação! - Faça surpreso.
- O senhor tinha se esquecido! Sabia!
- Eu estava me lembrando mas…
- Sei que o senhor está precisando de dinheiro, mas não precisa se matar tanto no trabalho. Eu posso parar de fazer aulas de teclado, se você quiser.
- Não, filha! - Diz no ímpeto. - Quer dizer, não precisa. Você ama essas aulas. A propósito, você vai tocar no teatro hoje, certo?
- Sim. Vamos, papai.

Pouco tempo depois os dois se encontravam na porta da escola. Aqueles prédios talvez sejam umas das poucas edificações antigas que os moradores de Dublin preservavam. O Trinitty Colege é talvez uma das escolas mais importantes da capital inglesa. Entre os estudantes que ali frequentavam estavam filhos de grandes empresários. Todos esses magnatas pareciam estar presentes naquele teatro enorme. Os dois tinham acabado de entrar em um grande auditório. As telas mostravam algumas das maiores obras de William Shakeaspere. Matthew se admirava pela obra shakeasperiana, mas não por aqueles ricaços que fingia gostar.

- Se não é o maior astrônomo de Dublin e a garota mais linda de todas! Não entendo como a NASA ainda não te convenceu a trabalhar pra eles. Aqueles americanos! - Risadas. - O que as estrelas dizem para mim, que sou pisciniano?
- Já disse que sou astrônomo e não astrólogo, Brad. Quanto a NASA, bem, quero mais que eles vão se danar! - Rindo de forma cordial.
- Eu sei, meu amigo. Adoro brincar com você sobre isso. Não são nomes muito parecidos?
O som do palco fazia a chamada:
- Luna Andrews, queira vir aos bastidores por favor.
- Meu Deus. Estou atrasada, papai.
- Eles precisam de você, meu anjo. Pode ir. Não quero que faça uma ótima apresentação, quero que se divirta.
- Achei que fosse me “apoiar” como faz nas aulas de canto. - Fala de forma irônica.
Matthew fica sem jeito, como se algo quisesse sair pela sua garganta.
- É diferente, filha. Quero muito que você se dê bem. Amo-te muito e acabo exagerando.
- Tá bem papai. Também te amo. Adeus, Bradd.
- Boa sorte, Lu.

Romeu e Julieta perdia feio para Hamlet ou Macbeth, mas não com aquela Julieta, Os talentos de Luna para as artes eram simplesmente fantásticos. Ela puxara a mãe em tudo, nisso Matt não tinha sombra de dúvida. Ela dançava e cantava, contagiando o público usando aquela obra. O filho de Brad não deixara nada a desejar como Romeu, mas todos concordavam que a estrela da noite era a protagonista. Ao fim todos receberam palmas, foram dados alguns avisos e as crianças desceram para procurar seus pais. A professora responsável pelo teatro tinha dito que todos teriam dez minutos para conversar com os pais. Esgotado esse tempo eles deveriam se encaminhar para a sala da próxima aula. Luna não conseguia achar Matt, mesmo o procurando incansavelmente.

  • Professora, a senhora viu meu pai?
  • Não, querida. Ele deve estar por aí. Você está com algum problema?
  • Não… - Uma lágrima escorria do rosto da garota. - Eu queria um abraço dele.
  • Calma, pequena. - Falou enquanto a abraçava. - Vamos achá-lo juntas, tá bom?
As duas procuraram por um longo tempo. Lula era uma garota madura para seus oito anos mas agonizava pois temia um exame próximo. Suas notas nunca eram ruim mas testes para ela eram sempre ameaçadores. Ao saírem do auditório lá estava ele, olhando para um dos prédios da escola.
  • Onde esteve papai? - Gritou logo depois de avistá-lo.
Matthew ainda olhava de forma fixa ao prédio. Depois de alguns segundos desprendeu sua atenção e olhou de forma profunda à Luna, sorrindo.
  • Desculpe-me, filha. Saí as pressas logo depois do fim da peça, por isso você não me viu. Aqueles avisos chatos da escola me cansam. - Disse rindo. - Não preciso nem dizer o quanto você foi genial. Se Shakespeare estivesse vivo não iria querer outra Julieta.
  • Talvez ele fosse querer uma mais alta.
  • Sua altura é perfeita, pelo menos pra sua idade. Garanto que quando crescer ficará bem maior que eu.
  • Duvido.
Matt percebeu que Luna não estava sozinha.

  • Prazer, senhora… - Falou olhando para a professor, esperando que ela dissesse seu nome.
  • Sprout. Gina Sprout.
  • Matthew Andrews, mas pode me chamar de Matt.
  • Senhor Andrews, eu sou uma grande fã sua. Não pelo seus trabalhos de observação espacial mas sim por suas pesquisas sobre os clássicos. Seu livro sobre a obra Dantesca é simplesmente fantástica. Sem contar seus trabalhos sobre política, matemática, lógica…
  • Acho que devo muito ao senhor Alighiere. - Disse rindo enquanto olhava para Luna.

[MA02] Capítulo 1

“A maior dificuldade não é encontrar a verdadeira estrada e sim seu verdadeiro ser."


Aquela manhã estava movimentada. Nada daquilo era de praxe. A multidão agonizava.
  • Aquele desgraçado nos paga!
  • Como assim um poeta que profetizou o inferno? Todos nós sabemos que só a igreja pode saber coisas assim.
Antonie foi correndo até a praça. A multidão que tinha se formado frente à praça se aproximou abruptamente  do pároco quando o viu. O prefeito da cidade, Henry, foi o primeiro a perguntar.
  • Aquilo é verdade? Sobre o Alighiere. Como pôde nos enganar dessa forma. Aquela não era a palavra de Deus, mas sim de um farsante.
  • Não sei do que o senhor está falando.
Antonie continuou caminhando em meio a multidão. Quando chegou a frente da igreja finalmente entendeu o que estava acontecendo. Seu velho conhecido tinha feito mais uma de suas brincadeiras, mas ele nunca tinha exagerado tanto. Aquela replica não lhe era estranha.: “El mapa del infierno”, de Botticelli.
Esse quadro em formato de funil mostra todos os move ciclos do inferno, que segundo a obra dantesca os pecadores pagariam suas penas pela eternidade. O quadro estava modificado. Trazia inscrições que explicavam como o inferno que o padre explicava não estava transcrito na Bíblia. Além disso contava que Lúcifer era um anjo.
No chão estava sentada Annie, filha do prefeito. Ela talvez fosse a garota mais inteligente da cidade. Seus cabelos louros brilhavam com os raios de sol daquela manhã. Em suas mãos estavam talvez uma das obras mais influentes do mundo “A Divina Comédia”.
  • “Da nossa vida, em meio da jornada, Achei-me numa selva tenebrosa, Tendo perdido a verdadeira estrada…”
  • Esse livro é do diabo, garota. Solte o já.  - Falou interrompendo a garota.
  • Ele fala sobre o diabo, mas não foi escrito por ele. Seu autor sofria de desilusão amorosa.
  • Insisto que o solte, e quero que o faça agora.
  • Não irei fazer isso. O senhor mentiu para nós, padre. Não tem mais moral conosco.
Naquele momento o delegado chegou correndo:
  • A última casa daquela rua está em chamas! Vamos precisar de toda ajuda possível!
Em questão de minutos uma multidão estava ajudando a apagar o fogo. Ninguém sabia de quem era aquela casa. Triste era ver um lindo telescópio como aquele se desfazer em cinzas. Depois de uma hora o fogo estava apagado, porém nada sobrara daquela residência. Annie estava com suor escorrendo. Ela aparentava ter corrido uma maratona.
  • Padre, fui até a casa paroquial ver como a garota estava. O bebê sumiu!
Aquela letra gravada na obra prima de Bocciele era inconfundível. A genialidade do seu plano também.

  • Só pode ter sido ele! Andrews!

sábado, 16 de julho de 2016

[MA01] Introdução

“Pare de me olhar com essa visão dantesca. Talvez eu não seja o anjo mais puro do paraíso, mas também não sou nenhum monstro.”

Eram duas horas da manhã de uma quarta-feira. Todas as casas daquele pequeno vilarejo inglês estavam escuras, exceto aquela. Sua aparência demonstrava um belo padrão arquitetônico da década de noventa. Pela pintura seria possível deduzir que naquelas paredes pouquíssimas vezes foram aplicadas novas mãos de tinta. O telhado logo, acima do segundo andar, era firme feito de telhas coloniais. Havia de belo naquela casa apenas uma sacada florida, com um belo telescópio. Moraria ali, naquele ponto isolado da tecnologia, algum astrônomo?
Naquela madrugada caia uma chuva torrencial, própria do verão britânico. Os vilões que ali moravam temiam os poderes da natureza. O anglicanismo se estabelecia como a religião mais influente, praticada naquele lugarejo em uma pequena capela. Não era incomum os moradores associarem tudo à vontade divina. Todos os esforços de um homem incomum para explicar como realmente uma chuva era formada foram inúteis. Tais atos davam-se por teses afixadas na porta da capela. “Aquele homem é completamente louco!” “Não olhem, crianças!”
O que mais movia aquele povo era, é claro, o medo de queimar no fogo do inferno. Nas celebrações o clérigo sempre reservava algum tempo para falar dos castigos eternos que o plano inferior reservava aos pecadores. “Deus disse: Os gananciosos tomarão um banho eterno em ouro fervente! A comida que os glutões se abusam será negada pela eternidade”. O dízimo que aquela igreja recebia não era alto o suficiente para encher cofres, mas fato é que grande parte dele era recebido durante essa parte da pregação.
Saía daquela casa um homem de aparência singular. Segurava por baixo dos braços uma moldura rústica e tinha nas costas uma mochila preta. Seus cabelos ruivos franjados estavam agora cobertos por um capuz conjunto de uma capa de chuva. Essa capa era muito popular naquela época. Ele andava apressado. Usava luvas pretas que não cobriam os dedos. Ele sabia que talvez, depois do que fosse fazer, talvez nunca mais poderia voltar pra casa. “Casa? Ridículo chamar isso de lar.” Seu passado era cada vez mais curto, sua respiração mais ofegante. “Não é como se eu estivesse fazendo algo errado. Talvez de forma errônea, mas tal ato, errado? Jamais.”
Depois de cerca de trinta minutos de caminhada lá estava ele. Aquela praça fedia a bebidas. Fato esse pode ser explicado por uma importante celebração realizada naquela noite. A Páscoa era, para aqueles, tempo de compensar todo o álcool que não foi tomado nos últimos quarenta dias de penitência. Aquilo deixava o estômago do homem embrulhado. Ele assentiu com a cabeça e, logo depois de tirar um martelo da mochila pregou seu quadro e pendurou uma sacola contendo um livro.
Em outra casa o dia seguinte começou cedo para Antonie. O trabalho de pároco o deixava exausto. O que mais lhe cansava, porém, era cuidar de um bebê recém nascido. A garota, que até então não tinha nome, tinha sido abandonada em um rio que banhava aquele lugar. Como não há na região nenhum orfanato os moradores acharam conveniente deixá-la na casa paroquial. Naquela manhã ele pensou em voz alta:
  • Aquela  menina facilitará e muito minha vida daqui a algum tempo. A população está perdendo sua fé em Deus mas depois de cuidar dessa criança a fé em mim só irá aumentar.
Ele notou algo estranho acontecendo na praça. Um alvoroço montado em frente a sua igreja.

  • Aquele maldito me paga!

[MA00] [Prelúdio] Matthew Andrews: Em busca dos feitos de Dante

                Confesso que, depois de ler Inferno de Dan Brown e posteriormente A Divina Comédia, apaixonei-me profundamente por Dante Alighiere. Sua escrita é simplesmente genial. A epopeia é envolvente, tanto pelos recursos linguísticos empregados (sendo a Terza Rima o mais genial deles) quanto pela união entre os valores humanistas (próprios do Renascimento) e os valores cristãos.

                A nova visão do Inferno que Dante nos deu simplesmente influenciou o mundo. Depois da Bíblia, o Inferno de A Divina Comédia pode ser considerado o livro mais influente do mundo. Ela recebeu inúmeros adjetivos, como o Divina que Boccacio deu no século treze, se não me falha a memória.
                Além de influenciar desde garotos com tempo livre até grandes escritores (como Dan Brown, que eu recomendo muito), nosso querido Magnum Opus de Alighiere teve grande importância na pintura e na música.


                A Sinfonia de Dante é um dos trabalhos mais lindos da música clássica, ao meu ver. Não que eu seja um grande fã, mas eu acho que vale a pena dar uma olhada.

                Sempre quis escrever uma fanfic, e bem, por que não pegar um dos maiores livros da literatura mundial como base? É exatamente essa a proposta, escrever algo sobre os catorze mil versos que compreendem o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Não sei o quanto de Alighiere essa história, mas garanto que ela terá bastante a minha escrita. Espero conseguir acaba-la.

[Sexismo] [Art. Op.] Por que não respeito o feminismo?

“Os lugares mais sombrios do Inferno estão reservados àqueles se mantiveram neutros em tempos de crise moral” – Autor desconhecido.

Sabe-se que hoje, em todo mundo, um dos temas mais decorrentes desde rodas de conversa coloquiais até parlamentos políticos é a necessidade de garantir os direitos básicos as mulheres como sufrágio, igualdade salarial, direito de ir e vir dentre outros.
Uma coisa é certa: socialmente as mulheres têm tendências a serem desrespeitadas mais facilmente perante aos homens. Biologicamente falando, na raça humana o corpo feminino é mais frágil que o masculino. Tal fato é reintegrado na Constituição Federal a qual demonstra-o através do Artigo 40, inciso 3º que estabelece um prazo trabalhista menor para a mulher.
Isso provocou, ao longo dos anos desde a pré-história, uma diferenciação por sexo enorme na sociedade mundial. Sabemos que hoje, por exemplo, três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos e que mais de vinte e cinco milhões de homens morreram apenas na segunda guerra mundial.
Tentando acabar com todo esse sexismo surgiu então, em período próximo à Revolução Francesa, o movimento feminista. Representado necessariamente por mulheres, tais correntes ideológicas variam muito em suas ideias. Algumas delas lutam pelo, além da igualdade de gênero, fim do capitalismo pois acreditam que o capital fez com que o homem assumisse um papel mais importante que o da mulher, pois ele pôde trabalhar desde o princípio da história, por exemplo.
Todas as correntes ideológicas feministas afirmam que lutam pelos direitos negados tanto ao homem quanto à mulher, porém isso não ocorre de fato. Vivemos hoje a chamada “Terceira Onda Feminista” que busca contestar as definições essencialistas da mulher. Ela é a primeira fase do movimento que admite as diferenças biológicas entre mulheres e homens. Isso é contraditório, pois as feministas de hoje continuam defendendo que a maioria das diferenças biológicas que a sociedade (conservadora) diz existirem são, na verdade, uma construção social. Partindo desse ponto as feministas defendem que todo homem é um estuprador em potencial pois, além de serem biologicamente mais fortes, foram ensinados que podem estuprar.
Isso é chamado de “Cultura do Estupro”. Nela mesma já há problemas muito sérios. O maior, em minha opinião, é defender que todo e qualquer homem é um estuprador e que essa tendência se aplica na mesma proporção. É idiota dizer que, um homem com nenhum antecedente criminal, que não usa bebidas alcoólicas e que tem um perfil psicológico calmo tem a mesma tendência de cometer tal crime hediondo que um psicopata ou, trazendo para uma realidade mais comum, que um homem machista com abusos sexuais no seu histórico recente.
Outro erro de concordância é afirmar que a vítima, em casos de estupro, nunca é tratada como tal. A grande maioria dos casos de estupro que caíram em conhecimento público a população em geral se comportou de forma contrária do que feminista preveriam: condenaram o(s) estuprador(es) e defenderam a vítima. Esse argumento feminista tem caráter manipulador e não revelador, como todo argumento ideológico deve ter.
A “Cultura do Estupro” além de causar, na minha opinião, risadas acaba gerando na população intelectual profundo pejo, vergonha alheia.

A terceira onda feminista é, para mim, a de maior caráter filosófico pois busca uma reflexão interna sobre o quê, de fato, define o gênero de uma mulher.

"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher…" - Simone de Beauvoir

A grande maioria das feministas seguem a linha de pensamento de Simone de Beauvoir, intelectual feminista. Ela defende que o sexo não define o gênero pois o último é uma construção social. Surgiram então muitos termos para ajudar a definir identificações sexuais e generalistas, como cis (ser igual em gênero e sexo) e trans (ser diferente em gênero e sexo).
Esse conjunto de ideias é chamada “Ideologia de gênero”wque é outro ponto falho do feminismo. Um homem que se declara mulher, ao ver feminista, passa a ser necessariamente considerado uma mulher por todas as leis. Seria justo ele aposentar como uma mulher? Claro que não. A assembleia constituinte entendeu que, uma mulher, por ter o corpo mais frágil e por, em vários casos, abandonar sua carreira para cuidar dos filhos precisa receber aposentadoria mais cedo para ser justo. Esse homem, que nunca teve um corpo frágil nem teve filhos, não pode aposentar como uma mulher.
Além disso, sendo esse homem um estuprador em potencial segundo a “Cultura do Estupro”, pode ele frequentar banheiros femininos? Não, novamente. Mesmo que ele tenha construído uma identidade feminina completamente (o que anularia meu último argumento) ele constrangeria todas as mulheres presentes nos banheiros públicos, principalmente as crianças.
Por último, analisando as postagens e reinvindicações feministas vemos que só há preocupação real na busca de direitos negados femininos e não masculinos. Há negação de problemas que homens enfrentaram, como os vinte e cinco milhões que morreram nas Segunda Guerra Mundial. Sempre que vemos um homem alegar isso ele é chamado de vitimista por uma feminista. Isso já contraria todas as falsas ideias do movimento.
Tais problemas masculinos, criados por uma necessidade histórica, são gritantes ainda hoje. O mais evidente é o alistamento militar obrigatório. Viver ciente que na próxima guerra você terá que segurar um fuzil e atirar até a morte talvez seja tão medonho quanto viver com medo de um estupro. Grande parte das vagas de empregos de alto risco (como mineradoras) são ocupadas por homens. A maior parcela dos suicídios é cometida por homens. O feminismo se mostra cego perante a isso e pior, se mostra completamente indisposto a ver.

“Não há covardia mais torpe que a covardia da inteligência, a burrice voluntária, a recusa de juntar os pontos e enxergar o sentido geral dos fatos. ” – Olavo de Carvalho
.

E mesmo com todos os problemas que os homens sofrem e as mulheres não as feministas ainda se veem no direito de dizer que o feminismo, mesmo sendo um movimento que busca a “igualdade de gênero” (ao menos à primeira vista), precisa necessariamente ser feito por mulheres. Isso é chamado de “Empoderamento Feminino”. Buscar igualdade de gênero através de um movimento que não tem igualdade de gênero como base É MUITA HIPOCRISIA.