segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Prisão

Estou preso.
Sim, estou preso.
Sei que estou.

O tempo é um castigo, uma pena.
Sim, fui castigado.
Sei que fui.

Não me lembro o porquê.
Devia estar livre, vivo.
Sei que devia.

Mas cá estou eu, preso.
Saberia o porquê, mas meus olhos estão cegos.
Sei que estão.

Minha prisão é forte, estou algemado.
Mas tenho uma faca, uma pequena faca.
Arranho a prisão, e o ar fresco arde alarmado.

Cada arranhão, cada corte me excita.
A maresia calma me agita, saudita.
E cada arranhão nas paredes me tenta mais.

Não arranho de dentro pra fora, não.
Minha cela é diferente.
Se ela fosse maior, mais preso ficaria eu ao chão.

Estou fadado como um cancerígeno.
Desesperado na tentativa de arrancar.
O centro do problema, custe o que custar.

Sinto o cheiro de algo,
saboreio,
Ah sim, são os doces mantedores da morte.

Abocanho-nos todos e então engulo.
Minha prisão se corrompe, e eu saio.
Finalmente esse anjo agora tem sua vida.

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