segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Chuva de Sangue

Chove sangue lá fora.
Os anjos, pelo mal
foram atrucidados agora.
Suas mortes indicam o final.

Chove sangue aqui dentro.
As pessoas beberam o sangue,
e com profundo alento
tornam o mundo sua cruel gangue.

Choro sangue agora.
Sem lugar na terra, sem lugar no céu.
Tristeza me escapa sem demora
o escarlate me denomina réu.

O sangue fora já me ancora.
O veneno dos anjos acabara de sair,
livrei-me do que antes me corpora,
recipiente do que era capaz do mal atrair.

Sou o sangue agora.
Enlouqueço com meu reflexo,
preso ao chão.

Estou livre do sangue agora.
Não há mais dor,
No meu suicídio encontrei compaixão.

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