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domingo, 17 de julho de 2016

[MA02] Capítulo 1

“A maior dificuldade não é encontrar a verdadeira estrada e sim seu verdadeiro ser."


Aquela manhã estava movimentada. Nada daquilo era de praxe. A multidão agonizava.
  • Aquele desgraçado nos paga!
  • Como assim um poeta que profetizou o inferno? Todos nós sabemos que só a igreja pode saber coisas assim.
Antonie foi correndo até a praça. A multidão que tinha se formado frente à praça se aproximou abruptamente  do pároco quando o viu. O prefeito da cidade, Henry, foi o primeiro a perguntar.
  • Aquilo é verdade? Sobre o Alighiere. Como pôde nos enganar dessa forma. Aquela não era a palavra de Deus, mas sim de um farsante.
  • Não sei do que o senhor está falando.
Antonie continuou caminhando em meio a multidão. Quando chegou a frente da igreja finalmente entendeu o que estava acontecendo. Seu velho conhecido tinha feito mais uma de suas brincadeiras, mas ele nunca tinha exagerado tanto. Aquela replica não lhe era estranha.: “El mapa del infierno”, de Botticelli.
Esse quadro em formato de funil mostra todos os move ciclos do inferno, que segundo a obra dantesca os pecadores pagariam suas penas pela eternidade. O quadro estava modificado. Trazia inscrições que explicavam como o inferno que o padre explicava não estava transcrito na Bíblia. Além disso contava que Lúcifer era um anjo.
No chão estava sentada Annie, filha do prefeito. Ela talvez fosse a garota mais inteligente da cidade. Seus cabelos louros brilhavam com os raios de sol daquela manhã. Em suas mãos estavam talvez uma das obras mais influentes do mundo “A Divina Comédia”.
  • “Da nossa vida, em meio da jornada, Achei-me numa selva tenebrosa, Tendo perdido a verdadeira estrada…”
  • Esse livro é do diabo, garota. Solte o já.  - Falou interrompendo a garota.
  • Ele fala sobre o diabo, mas não foi escrito por ele. Seu autor sofria de desilusão amorosa.
  • Insisto que o solte, e quero que o faça agora.
  • Não irei fazer isso. O senhor mentiu para nós, padre. Não tem mais moral conosco.
Naquele momento o delegado chegou correndo:
  • A última casa daquela rua está em chamas! Vamos precisar de toda ajuda possível!
Em questão de minutos uma multidão estava ajudando a apagar o fogo. Ninguém sabia de quem era aquela casa. Triste era ver um lindo telescópio como aquele se desfazer em cinzas. Depois de uma hora o fogo estava apagado, porém nada sobrara daquela residência. Annie estava com suor escorrendo. Ela aparentava ter corrido uma maratona.
  • Padre, fui até a casa paroquial ver como a garota estava. O bebê sumiu!
Aquela letra gravada na obra prima de Bocciele era inconfundível. A genialidade do seu plano também.

  • Só pode ter sido ele! Andrews!

sábado, 16 de julho de 2016

[MA01] Introdução

“Pare de me olhar com essa visão dantesca. Talvez eu não seja o anjo mais puro do paraíso, mas também não sou nenhum monstro.”

Eram duas horas da manhã de uma quarta-feira. Todas as casas daquele pequeno vilarejo inglês estavam escuras, exceto aquela. Sua aparência demonstrava um belo padrão arquitetônico da década de noventa. Pela pintura seria possível deduzir que naquelas paredes pouquíssimas vezes foram aplicadas novas mãos de tinta. O telhado logo, acima do segundo andar, era firme feito de telhas coloniais. Havia de belo naquela casa apenas uma sacada florida, com um belo telescópio. Moraria ali, naquele ponto isolado da tecnologia, algum astrônomo?
Naquela madrugada caia uma chuva torrencial, própria do verão britânico. Os vilões que ali moravam temiam os poderes da natureza. O anglicanismo se estabelecia como a religião mais influente, praticada naquele lugarejo em uma pequena capela. Não era incomum os moradores associarem tudo à vontade divina. Todos os esforços de um homem incomum para explicar como realmente uma chuva era formada foram inúteis. Tais atos davam-se por teses afixadas na porta da capela. “Aquele homem é completamente louco!” “Não olhem, crianças!”
O que mais movia aquele povo era, é claro, o medo de queimar no fogo do inferno. Nas celebrações o clérigo sempre reservava algum tempo para falar dos castigos eternos que o plano inferior reservava aos pecadores. “Deus disse: Os gananciosos tomarão um banho eterno em ouro fervente! A comida que os glutões se abusam será negada pela eternidade”. O dízimo que aquela igreja recebia não era alto o suficiente para encher cofres, mas fato é que grande parte dele era recebido durante essa parte da pregação.
Saía daquela casa um homem de aparência singular. Segurava por baixo dos braços uma moldura rústica e tinha nas costas uma mochila preta. Seus cabelos ruivos franjados estavam agora cobertos por um capuz conjunto de uma capa de chuva. Essa capa era muito popular naquela época. Ele andava apressado. Usava luvas pretas que não cobriam os dedos. Ele sabia que talvez, depois do que fosse fazer, talvez nunca mais poderia voltar pra casa. “Casa? Ridículo chamar isso de lar.” Seu passado era cada vez mais curto, sua respiração mais ofegante. “Não é como se eu estivesse fazendo algo errado. Talvez de forma errônea, mas tal ato, errado? Jamais.”
Depois de cerca de trinta minutos de caminhada lá estava ele. Aquela praça fedia a bebidas. Fato esse pode ser explicado por uma importante celebração realizada naquela noite. A Páscoa era, para aqueles, tempo de compensar todo o álcool que não foi tomado nos últimos quarenta dias de penitência. Aquilo deixava o estômago do homem embrulhado. Ele assentiu com a cabeça e, logo depois de tirar um martelo da mochila pregou seu quadro e pendurou uma sacola contendo um livro.
Em outra casa o dia seguinte começou cedo para Antonie. O trabalho de pároco o deixava exausto. O que mais lhe cansava, porém, era cuidar de um bebê recém nascido. A garota, que até então não tinha nome, tinha sido abandonada em um rio que banhava aquele lugar. Como não há na região nenhum orfanato os moradores acharam conveniente deixá-la na casa paroquial. Naquela manhã ele pensou em voz alta:
  • Aquela  menina facilitará e muito minha vida daqui a algum tempo. A população está perdendo sua fé em Deus mas depois de cuidar dessa criança a fé em mim só irá aumentar.
Ele notou algo estranho acontecendo na praça. Um alvoroço montado em frente a sua igreja.

  • Aquele maldito me paga!

[MA00] [Prelúdio] Matthew Andrews: Em busca dos feitos de Dante

                Confesso que, depois de ler Inferno de Dan Brown e posteriormente A Divina Comédia, apaixonei-me profundamente por Dante Alighiere. Sua escrita é simplesmente genial. A epopeia é envolvente, tanto pelos recursos linguísticos empregados (sendo a Terza Rima o mais genial deles) quanto pela união entre os valores humanistas (próprios do Renascimento) e os valores cristãos.

                A nova visão do Inferno que Dante nos deu simplesmente influenciou o mundo. Depois da Bíblia, o Inferno de A Divina Comédia pode ser considerado o livro mais influente do mundo. Ela recebeu inúmeros adjetivos, como o Divina que Boccacio deu no século treze, se não me falha a memória.
                Além de influenciar desde garotos com tempo livre até grandes escritores (como Dan Brown, que eu recomendo muito), nosso querido Magnum Opus de Alighiere teve grande importância na pintura e na música.


                A Sinfonia de Dante é um dos trabalhos mais lindos da música clássica, ao meu ver. Não que eu seja um grande fã, mas eu acho que vale a pena dar uma olhada.

                Sempre quis escrever uma fanfic, e bem, por que não pegar um dos maiores livros da literatura mundial como base? É exatamente essa a proposta, escrever algo sobre os catorze mil versos que compreendem o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Não sei o quanto de Alighiere essa história, mas garanto que ela terá bastante a minha escrita. Espero conseguir acaba-la.